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Blogue da Roseli

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Disponível pela Netflix, Relatos do mundo (2020), de Paul Greengrass, é baseado no romance homônimo (2016) de Paulette Jiles, e é interpretado por Tom Hanks- brilhante- e pela menina Helena Zengel – não menos brilhante.

Ainda que o pensamento nos leve a um filme dos antigos west, e é nesse sentido um grande filme, Relatos mostra uma espécie de nascimento da nação americana com todos os preconceitos que perduram até o contemporâneo: racismo, extinção dos índios, entre outros.

Há, no entanto, no filme um instigante passeio pela narrativa. Afinal, Tom Hanks interpreta um ledor de jornais. Ele vai de cidade em cidade relatando as últimas notícias, algumas já bem antigas. Não só apenas ele lê as notícias, ele as interpreta e deixa ao espectador o vislumbre de sua posição sobre os fatos. Revela a cada leitura um ser ético em relação aos acontecimentos.

Na defesa de suas ideias, há a defesa que ele assume da menina abandonada à sorte pior que ele encontra pelo caminho. A menina sobreviveu à matança de sua família pelos índios. Foi criada por eles. Em seguida, a segunda orfandade já que os índios são dizimados pelos colonizadores.

Há entre ele e a menina um primeiro momento de entrave. Falam línguas diversas. Ela, a que aprendeu com os Kiowas. Ele, claro, a língua dos colonizadores. Cada qual passa a conhecer o outro pelas intrigantes aventuras por que passam. Apreendem as linguagens distintas. Respeitam-se na diferença. Diferenças, eis o mote do filme.

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Carlos Drummond de Andrade preparava-se para ser pai e esse triste acontecimento ocorreu em 22 de março. Triste? Ser pai é motivo de júbilo. Deve ter sido. Basta imaginar Dona Dolores, sua esposa, em terríveis contrações a caminho do parto. O poeta escreveu sobre isso? Drummond muito falou das agruras dos seres, da efemeridade da vida. Foi um apaixonado pela filha, Julieta. Tanto que a morte dela provocou-lhe um infarto doze dias depois e ele a ela se juntou.

Mas e Flávio, o filho? O nascido antes de Julieta?

É que as palavras não conseguem desenhar a dor pungente da perda de um filho. Anos antes do nascimento da filha cúmplice, Carlos perdera para sempre aquele filho. Não, ele não o esquecera.

“E o filho morto?”, continua pensando. “Carlos Flávio, apenas um nome e meia hora de vida. Antes de Julieta, e tanta esperança!”

Sempre Julieta. E a perda da esperança.

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Toda vez que estamos em março e uma tempestade se aproxima pensamos em Tom Jobim. Essas são águas antigas, de 1972, e em 1974 Tom e Elis imortalizaram essa canção. Nem é mais fato que o mês de março seja chuvoso, mas pela metade ele já vai se despedindo do verão, é o que diz a letra.

No correr de tudo que a forte correnteza formada pela chuva leva vão também todas as narrativas, todas as dores, tudo que fere. É o momento de renovação. Desse calor criativo tudo desbanca para a calmaria. O verão é muita criação, é demais, abunda. Há que desaguar levando ladeira abaixo tudo que sobrou, os restos. O lixo impróprio. É voltar a cabeça ao ecológico, limpeza. Preparar o urso à hibernação. Preparar o ser para o descanso que virá. Descanso. Lá na frente, bem lá na frente, haverá outra primavera. Até lá, é preciso limpar a casa. Armazenar os frutos. Ficar bem quietinho a esperar tudo de novo.

“É pau...”. Que letra!

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