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Blogue da Roseli

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O filme indiano de Ramin Bahrani é de 2020, candidato ao Oscar de 2021, está disponível na Netflix. Na esteira de abordagens sociais, como já estava em ‘Quem quer ser um milionário?’, Tigre Branco beira àquela narrativa de um ser submisso que consegue alçar um novo status que, no entanto, esbarra na ainda discutível área das castas indianas.

O sucesso e poder econômico que Balram adquire mostra as falcatruas por quais passa e elas não são diferentes das de seus patrões. A diferença é exatamente a social. Aos de fato ricos tudo é permitido, mas aos que chegam ao poder financeiro vindos de origem humilde o crime realmente não compensa.

Balram assume, aliás, um atropelamento com morte provocado pela esposa do patrão. Convidado a se passar pelo criminoso começa a perceber que todas as suas afeições aos donos a que pertence não passam de objetos de uso e descarte.

O resultado é a violência que toma conta de Balram por conta de todas as humilhações sofridas. Para tudo há um limite. Um liame por que passa um sujeito. Um elo que se rompe e que parece justificar todas as ações humanas. E isso é fatal. Fatal como a extinção de tigres brancos.

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Disponível pela Netflix, Relatos do mundo (2020), de Paul Greengrass, é baseado no romance homônimo (2016) de Paulette Jiles, e é interpretado por Tom Hanks- brilhante- e pela menina Helena Zengel – não menos brilhante.

Ainda que o pensamento nos leve a um filme dos antigos west, e é nesse sentido um grande filme, Relatos mostra uma espécie de nascimento da nação americana com todos os preconceitos que perduram até o contemporâneo: racismo, extinção dos índios, entre outros.

Há, no entanto, no filme um instigante passeio pela narrativa. Afinal, Tom Hanks interpreta um ledor de jornais. Ele vai de cidade em cidade relatando as últimas notícias, algumas já bem antigas. Não só apenas ele lê as notícias, ele as interpreta e deixa ao espectador o vislumbre de sua posição sobre os fatos. Revela a cada leitura um ser ético em relação aos acontecimentos.

Na defesa de suas ideias, há a defesa que ele assume da menina abandonada à sorte pior que ele encontra pelo caminho. A menina sobreviveu à matança de sua família pelos índios. Foi criada por eles. Em seguida, a segunda orfandade já que os índios são dizimados pelos colonizadores.

Há entre ele e a menina um primeiro momento de entrave. Falam línguas diversas. Ela, a que aprendeu com os Kiowas. Ele, claro, a língua dos colonizadores. Cada qual passa a conhecer o outro pelas intrigantes aventuras por que passam. Apreendem as linguagens distintas. Respeitam-se na diferença. Diferenças, eis o mote do filme.

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Carlos Drummond de Andrade preparava-se para ser pai e esse triste acontecimento ocorreu em 22 de março. Triste? Ser pai é motivo de júbilo. Deve ter sido. Basta imaginar Dona Dolores, sua esposa, em terríveis contrações a caminho do parto. O poeta escreveu sobre isso? Drummond muito falou das agruras dos seres, da efemeridade da vida. Foi um apaixonado pela filha, Julieta. Tanto que a morte dela provocou-lhe um infarto doze dias depois e ele a ela se juntou.

Mas e Flávio, o filho? O nascido antes de Julieta?

É que as palavras não conseguem desenhar a dor pungente da perda de um filho. Anos antes do nascimento da filha cúmplice, Carlos perdera para sempre aquele filho. Não, ele não o esquecera.

“E o filho morto?”, continua pensando. “Carlos Flávio, apenas um nome e meia hora de vida. Antes de Julieta, e tanta esperança!”

Sempre Julieta. E a perda da esperança.

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