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  • Foto do escritorRoseli

A ILHA DOS QUATRO MENINOS, de Adriano Messias


Adriano Messias, inspirado em suas próprias experiências de leituras infantis e adolescentes, projeta quatro meninos que sucumbem a um acidente de avião e vão parar em uma ilha deserta. A questão da obra está na contracapa: será cada qual de nós uma ilha cercada de questões e dúvidas por todos os lados? Mais ainda, partindo da questão filosófica, Nenhum homem é uma ilha, do poeta John Donne, o autor traz a reflexão desse aforismo dada por Millôr Fernandes: Nenhum homem é uma ilha, a não ser quando devidamente cercado de água por todos os lados, a paródia em que o tom desmistifica a afirmação. Em certo sentido, cada um dos quatro meninos mostra uma particular versão de serem ilhas e de quais são suas águas por todos os lados.

A ilha dos quatro meninos pode ser considerada literatura infantil e juvenil. Não apenas pela idade de seus protagonistas, em média de 12 a 14 anos, mas pelas aventuras vivenciadas por eles, pelos sonhos que povoam nosso imaginário adolescente, pelas buscas e soluções para problemas que parecem insolúveis.

As configurações filosóficas estão por toda a parte sem que nos pareçam maçantes como aulas de história ou de literatura. Um dos meninos tem por nome Ícaro o que imediatamente nos leva à mitologia e os significados que esse mito tem para a humanidade e, principalmente, dentro da narrativa. As questões científicas nos recebem e são explicadas pelos garotos na voz das aulas do professor de ciências que perde a vida no acidente, mas deixa ensinamentos que promovem entre os meninos saídas de situações como saber que plantas ingerir, por exemplo.

Chama a atenção na obra, a linguagem conduzida em boa parte por meio de diálogos muito claros, mas sem que haja condescendência em minimizar informação. Há um respeito ao leitor pela linguagem narrativa, esse respeito se insinua pelos diálogos precisos e que incorporam um certo suspense sobre quem são esses meninos. Um em particular traz um incômodo que logo se faz ver e que se revelará ao modo rosiano em uma descoberta delicada. Como Ícaro queria voar, todos os meninos queriam sonhar. Assim sonham os leitores com a possibilidade aberta. O final não é único. E ...não conte a ninguém os finais deste livro. Não contarei.

Assista a live no YouTube do Instituo Legus


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